O Jardim Entre Duas Tempestades
- marcelschaefer8
- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Havia um pequeno jardim situado entre duas montanhas. Não era um jardim comum: ele não escolheu estar ali.
As montanhas, altas e antigas, discutiam constantemente.
Uma lançava ventos fortes, a outra respondia com trovões secos.
O jardim, frágil e silencioso, ficava bem no meio.
Quando as tempestades começavam, as flores se curvavam, as folhas tremiam e a terra parecia esquecer como respirar.
O jardim achava que precisava impedir as montanhas de brigarem.
Tentava crescer mais alto, esticar seus galhos, absorver a água em excesso de um lado e o calor intenso do outro.
Mas quanto mais tentava conter as tempestades, mais cansado ficava.
Com o tempo, o jardim percebeu algo importante: ele não era responsável pelo clima das montanhas.
Elas carregavam suas próprias histórias, rachaduras e ecos antigos.
O jardim, porém, tinha raízes próprias.
Então ele fez algo novo.
Em vez de tentar segurar as tempestades, aprofundou suas raízes.
Aprendeu a deixar a chuva passar sem se afogar nela e a deixar o vento atravessar sem se quebrar.
Criou pequenos caminhos por onde a água pudesse escoar, em vez de ficar acumulada e pesada demais.
O jardim também descobriu que podia ajudar sem se perder.
Quando as montanhas se cansavam, ele oferecia sombra.
Quando o silêncio surgia após a tempestade, deixava crescer flores que lembravam que a calma ainda existia.
Não tentava resolver a briga, mas mostrava que havia vida entre ela.
Ainda assim, algumas flores ficaram marcadas.
Certas folhas cresceram com medo do céu escuro.
Outras aprenderam a se fechar rápido demais.
O jardim entendeu que isso também fazia parte: crescer entre tempestades deixa marcas invisíveis, mas não tira a possibilidade de florescer.
E assim, o jardim seguiu existindo.
Não como um escudo entre montanhas, mas como um espaço vivo que aprendeu a se cuidar, a pedir sol quando precisava, e a lembrar que não nasceu para carregar o peso do céu inteiro.
MSchaefer




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