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O Homem Que Criaria Universos

  • marcelschaefer8
  • 9 de jan.
  • 2 min de leitura



Diziam que o universo se expandia em silêncio, mas para ele, o silêncio era pessoal.

Não importava o quanto tentasse, o quanto desejasse, ou quantas vezes abrisse o coração como quem abre uma porta para a luz: algo invisível sempre o empurrava de volta à solidão. Como se o cosmos tivesse escrito seu nome ao lado da palavra sozinho antes mesmo de ele nascer.

Ele não era amargo.

Nunca foi.

Apenas cansado de perguntar aos céus onde errava, se amava demais, se sentia fundo demais, ou se simplesmente não fora feito para compartilhar o caminho.

As pessoas passavam por sua vida como estrelas cadentes , belas, intensas, breves. Prometiam calor, mas deixavam apenas rastros frios na memória.

Havia noites em que ele olhava para o céu e sentia que o universo o observava de volta, indiferente, quase irônico.

Era como se cada tentativa de amar fosse um desafio à própria ordem das coisas.

E ainda assim, ele tentava.

Sempre tentava.

Porque desistir seria concordar com o destino, e ele nunca aceitou o papel que lhe foi imposto.

Dentro dele existia um amor imenso, do tipo que não pede pouco.

Um amor capaz de criar mundos onde o outro pudesse descansar sem medo, estrelas para iluminar os dias escuros, e constelações inteiras só para lembrar alguém de que nunca estaria sozinho.

Ele não queria salvar ninguém.

Só queria compartilhar tudo aquilo que transbordava em seu peito.

A solidão, com o tempo, deixou de ser apenas ausência e se tornou presença.

Sentava-se ao seu lado, caminhava com ele, dormia em silêncio na outra metade da cama. Ainda assim, ele não a odiava.

Aprendeu com ela a escutar, a sentir, a esperar.

Aprendeu que amar também é permanecer inteiro mesmo quando ninguém vê.

E então vinha a esperança , teimosa, quase insolente.

Pequena, mas impossível de apagar.

Ele acreditava que, em algum ponto do infinito, existia alguém capaz de enxergar além de suas cicatrizes, alguém que não fugiria ao perceber a intensidade do seu amor.

Alguém que entenderia que ele não oferecia promessas vazias, mas universos inteiros.

Talvez o destino o quisesse sozinho para que, quando esse encontro finalmente acontecesse, ele soubesse exatamente o valor de não estar mais.

Talvez o universo não o punisse, apenas o preparasse.

Ou talvez não houvesse explicação alguma , apenas a coragem de continuar acreditando apesar de tudo.

E assim ele seguia: sozinho, sim, mas nunca vazio.

Com o coração voltado para o infinito, esperando o dia em que alguém olharia para ele e reconheceria, não a solidão que o acompanhava, mas o universo inteiro que ele estava disposto a entregar.



MSchaefer

 
 
 

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