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Além do Véu, o Abismo Ri

  • marcelschaefer8
  • 2 de jan.
  • 1 min de leitura


Não há mundo oculto por trás das coisas, há apenas forças em disputa vestidas de sentido.

A realidade não é descoberta: é criada pelos que ousam nomeá-la.

Chamamos de verdade o hábito que sobreviveu ao tempo.

Chamamos de razão o instinto que aprendeu a se justificar.

E chamamos de realidade aquilo que venceu outras versões de si mesma.

Os mundos invisíveis não estão acima, nem além , estão no subterrâneo da linguagem, onde os valores se formam antes de aprenderem a mentir.

Tudo o que existe quer mais do que existir: quer afirmar-se, expandir-se, impor seu ritmo.

Até o pensamento é vontade, até a dúvida é fome, até o silêncio deseja dominar o ruído.

O homem inventou o “real” para não sucumbir ao caos, e depois ajoelhou diante da própria invenção, chamando de ordem o medo organizado.

Mas e se o véu nunca cair?

E se não houver essência esperando ser revelada, apenas máscaras sobre máscaras, todas necessárias, todas provisórias?

Olhar demais para o abismo não revela segredos ,revela o observador.

E aquele que suporta esse olhar já não busca certezas, mas dança sobre a instabilidade.

Talvez os mundos ocultos sejam apenas interpretações que ainda não tiveram força suficiente para se tornarem verdade.

E se for assim, que criemos novas.

Não para escapar da realidade, mas para torná-la suportável, intensa, digna de ser vivida.

Pois só quem abandona a esperança de um fundo último é capaz de afirmar o instante como se ele fosse eterno.


MSchaefer

 
 
 

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